Escola de Educação Infantil ou Creche?
[25/2/2006]

Hoje é muito comum crianças freqüentarem desde bebês as Escolas de Educação Infantil ou Creches uma vez que as mulheres precisam trabalhar fora para robustecer o orçamento familiar. Esta realidade independe da classe social a que pertençam ou da condição de serem ou não chefes de família. 

Tendo como base os dados obtidos pelo levantamento do censo de 2000, sabemos que há 11 milhões de domicílios em que mulheres são chefes de família num universo de 44 milhões. 

Assim sendo, se faz mister a necessidade da mãe deixar os filhos numa creche ou Escola de Educação Infantil para que possam trabalhar. 
A escolha desta entidade de ensino ou não, é de fundamental importância pois será ela que irá substituir a mãe enquanto esta trabalha. 

A Pré Escola ou Creche terá que ter um perfil de ressonância aos ideais pretendidos, pois caberá à estas entidades a continuação e ampliação das ações que se iniciaram em casa, regadas a muito carinho, amor e segurança, para tornar prazeroso a estada da criança naquele ambiente. 

Nesta primeira fase, dos 0 aos 6 anos, o desenvolvimento da criança está intimamente ligado aos vínculos afetivos e emocionais.
É importantíssimo haver uma relação de segurança da criança com o educador, no caso da Pré Escola, ou com o profissional capacitado que irá cuidar dela em se tratando das creches. 

Quando a mãe sair à procura de uma Escola ou Creche para deixar ser filho, é de suma importância que ela visite várias para obter dados suficientes para comparar e optar pela que mais se adeque às suas expectativas. É muito importante também que ela leve seu filho ou filha para que ele(a) possa também opinar, afinal é ele ou ela que passará todo o tempo ali, convivendo naquele local. É claro que os bebês não tem este poder de escolha, mas podem acreditar, à partir de um ano a criança já tem sensibilidade suficiente para se sentir à vontade ou não num determinado ambiente. 

A opinião do seu filho(a) é muito importante. 

Há alguns ítens que você não pode deixar de observar: 
- O primeiro deles é a limpeza . Não importa qual foi o momento que você chegou para visitar. Se foi no horário do lanche, ou logo após o mesmo. O importante é que o local tem que estar limpo. Se a pessoa que está lhe mostrando a Escola começar a justificar o porquê da sujeira, risque este estabelecimento da sua lista, pois pior do que ter o local sujo é ter consciência da sujeira e não tomar providências para que fique limpo. 

Lugar onde têm crianças, tem por condição “sine qua non” a limpeza; 
- Em segundo lugar certifique-se de que ali trabalham profissionais capacitados . A maneira como se inicia um aprendizado é a válvula mestra para toda a vida. 

A fase pré-escolar é a mais significativa da escolaridade humana pois irá proporcionar o desenvolvimento integral da criança
É dos 0 aos 6 anos que a criança desenvolve a linguagem e a socialização sendo este desenvolvimento aceleradíssimo, realizando novas conquistas a todo momento 

É nesta fase que a criança começa a expressar o controle do seu corpo, a imagem positiva de si mesma resultando em auto-estima, que obterá segurança na expressão de suas opiniões e sentimentos , é quando se dará a abertura infinita das suas “inteligências múltiplas”, das capacidades cognitivas, onde passará a analisar, a descobrir hipóteses e a resolver problemas. 

Também são dados importantes, o número de crianças por sala. 

Quanto menos idade tiver a criança, menor deverá ser a classe, em quantidade de crianças e maior o número de profissionais que nela trabalharão, uma vez que, por serem elas totalmente dependentes, o professor terá que contar com as auxiliares-de-classe para levá-los ao banheiro, dar-lhes água enfim, atender a todas as necessidades que elas venham a ter, sem ter a necessidade de abandonar a classe. 


RELAÇÃO PAIS E ESCOLA. 

A relação entre pais e professores é outro ítem importantíssimo nesta fase Pré escolar. Esta relação tem que ser íntima, tem que ser uma relação de “corpo a corpo” diária. Tudo tem que ser repassado, tanto da mãe para o professor como vice e versa.
 
Tudo o que acontece com a criança é muito importante e tem que ser informado para que haja um sincronismo de condutas entre as partes. 

As Escolas ou creches que somente tem contato com os pais nas famosas reuniões bimestrais, propiciando com esta conduta uma relação superficial, devem ser descartadas uma vez que nesta faixa etária, de 0 a 6 anos, qualquer acontecimento tem que ser resolvido imediatamente. Nada deve ser encarado como de menor importância. Às vezes não imaginamos como um fato aparentemente corriqueiro pode acabar se transformando em um trauma de difícil solução. 

Temos que ter sempre em mente que, nesta relação, a criança é o que mais importa, portanto tudo que se puder fazer para que ela cresça de forma saudável e feliz deve ser feito. 

Independente de ter ou não ocorrido alguma coisa é muito importante este entrosamento entre pais e educadores pois somente com esta relação de convivência aberta e sincera é que poderá resultar numa real situação de confiança que só terá a beneficiar, principalmente a criança. 

A Escola ou creche, tem que ser a extensão da casa da criança, bem como dos pais também. Se os pais se sentem à vontade, como se em suas casas estivessem, com certeza deixarão seus filhos lá e irão trabalhar sem qualquer receio ou preocupação. 

A ADAPTAÇÃO. 

A adaptação é uma situação de muito estresse tanto para os pais, como para a criança e de certa forma para o professor. 

A decisão de colocar o filho na escola ou creche tem que ser muito bem pensada. Os pais têm que estar muito seguros desta atitude. Eles têm que estar prontos, pois terão que se manter firmes, não deverão em hipótese alguma, se arrepender e voltar atrás, pois esta atitude resultará em danos tremendos à criança. 

Sabemos que esta situação de separação é imensamente dolorosa tanto para os pais quanto para a criança, mas sua duração é muito rápida e só deixará marcas positivas. 

Quando a criança chora, ela não está querendo demonstrar que não quer ficar na escola, pois na verdade ela nem conhece este ambiente A ESCOLA, afinal nunca freqüentou nenhuma. Ela chora pois é a forma de ela expressar que é uma condição nova e que ela não entende muito bem porque sua mãe a deixou com pessoas estranhas, pessoas que ela nunca viu antes e foi embora. 

Toda situação nova, tanto para as crianças como para os adultos é uma posição incômoda pois tira o indivíduo da sua zona de conforto. Enfrentar o desconhecido é sempre uma condição estressante independente da idade. 

Para a criança pequena ainda tem um agravante pois ela não tem noção de tempo. Aquele momento em que a mãe vai embora e a deixa ali, o tempo é imenso pois, na cabecinha dela, a mãe não vai mais voltar. 

A partir do momento que ela passa a vivenciar que a mãe a deixa na escola e volta mais tarde para buscá-la, ela começa a adquirir confiança e passa então a usufruir do ambiente escolar. 

Quando a mãe entregar seu filho ao professor ou ao funcionário da escola ou creche, deverá evitar despedidas longas, pois a despedida, por si só, já tem um caráter melancolico.

. Toda despedida é triste e vivenciar uma situação nova, como uma adaptação em uma escola ou creche e saber que sua mãe está se despedindo pois está “indo embora” isto provoca na criança uma sensação de abandono. A mãe deverá conversar com ele(a) em casa, ou à caminho da escola explicando que ela o deixará lá, irá trabalhar e ele(a) ficará brincando e que logo ela voltará para buscá-lo.

Este procedimento não será mágico , fazendo com que nenhuma criança chore, mas gerará uma situação de honestidade entre mãe e filho(a), independente da criança chorar ou não.

A escola ou creche deve, neste momento, propiciar à mãe todo o respaldo no que tange a ela poder ligar toda vez que seu coração “ficar apertado”e sempre ter uma conduta de sinceridade informando se a criança está ou não chorando. Todas as pessoas que trabalham ali, naquele local, estão totalmente voltadas à criança. Todo o ambiente é montado para entretê-la, assim sendo, tudo ali contribui para fazer a criança parar de chorar. 

Depois da criança adaptada, a despedida passará a ser natural, mas continuará sendo de fundamental importância, porque ao estar adaptada ela não terá mais a sensação de que está sendo abandonada. Ela sabe que quando os amiguinhos começarem a ir embora, logo, sua mãe também chegará para buscá-la. 

É muito importante transmitir este sentimento de segurança para a criança, e isto só se dá, passo a passo. 


TIPOS DE ADAPTAÇÃO 


Na verdade há três tipos de adaptação: 

- Há o tipo de criança que chora logo no primeiro dia. 
A todo momento fica perguntando aonde está sua mãe e se ela volta logo. 
Com relação a este tipo de comportamento a educadora no caso de Pré escola ou o profissional competente em caso das Creches deverá passar segurança para a criança dizendo que sua mãe logo vem, que foi, por exemplo, ao supermercado comprar coisas gostosas, ou que foi trabalhar e assim que sair do trabalho virá buscá-la. É muito importante fundamentar o porquê a mamãe a deixou ali. 
Como a criança nesta faixa etária não tem noção de tempo, ela irá perguntar a todo momento a mesma coisa, e você terá que responder sempre da mesma forma e com o mesmo argumento. Quando a mãe chegar você deverá avisá-la e reforçar este fato fundamentando: “eu não te disse que ela logo viria lhe buscar!” 
Este comportamento gerará uma relação de confiança entre a criança e o educador. 

- Há os casos em que a criança entra sem chorar e nunca chora, demonstrando um comportamento de total intimidade com o novo ambiente. Este tipo de adaptação deve gerar, ao contrário do que muitos pensam, um cuidado extremoso e muita atenção por parte do educador em torno da criança, pois o fato de ela não chorar não quer dizer que não está estranhando o ambiente, os professores e os amiguinhos. Ela deve receber a mesma atenção que qualquer criança em fase de adaptação receberia. Caso isso não aconteça, ela poderá vir a reagir de modo a não querer mais permanecer no ambiente escolar tornando a adaptação muito mais difícil. 

- Há os casos em que a criança entra sem chorar, explora tudo o que a escola tem de novidades e depois de uma semana não quer mais vir, quer continuar a desfrutar da antiga rotina em casa. 
Esta é uma adaptação muito complicada, não levando em consideração a criança mas em relação aos pais, pois este tipo de comportamento da criança gera junto aos pais uma desconfiança em relação ao ambiente escolar. “O quê será que aconteceu na escola para ela não querer ir mais?” “O quê será que fizeram com a minha filha, afinal ela estava indo tão bem?”. 

É realmente uma situação por demais complicada pois que tipo de argumentos se irá usar para conseguir convencer estes pais de que nada aconteceu. Que este comportamento está relacionada à perda de interesse pela novidade que já não existe mais! 

Este desenlace irá depender muito da forma como o educador irá analisar junto aos pais, tal comportamento. 

É por esta razão que os pais têm que ter uma postura forte e determinada de que é chegado o momento de colocar seu filho na escola ou creche . É também diante destas situações que o entrosamento e relacionamento entre pais e escola se faz importante. 

Em qualquer dos casos é muito importante que na primeira semana a criança não fique o período todo. Que a mãe vá buscá-la mais cedo e que vá aumentando o tempo gradativamente para não estressar a criança. 


O QUE VEM A SER PRÉ-ESCOLA E O QUE VEM A SER CRECHE. 


Creche: 

“O IBGE mostrou que, em 2000, apenas 11,6% das crianças de 0 a 3 anos estudavam em creches. Isso significa que de cada 10 crianças brasileiras, nove não têm acesso à rede pública ou particular de creches. Mas não vou me deter a este mérito. Vamos analisar o que vem a ser uma Creche em nosso país. 

Na verdade Creche é o local onde as mães deixam seus filhos para poderem trabalhar. Caso estejam desempregadas, não contam com este “privilégio”. 

As creches não têm qualquer comprometimento com a Educação. Há creches onde as crianças ficam diante da televisão o dia inteiro, simplesmente esperando o tempo passar. Este tipo de procedimento pode ocasionar uma agressividade e até uma falta de interesse pelo estudo, que poderá se manifestar mais tarde quando a criança realmente se confrontar com a parte pedagógica. Há casos onde estes comportamentos se tornam irreversíveis. 

Mas na verdade o que importa para a mãe que opta por deixar seu filho na creche, não é o método pedagógico que será adotado ou se há um método ou não, o que importa na realidade é a certeza de que a criança estando na creche, não estará amanhã ou depois, na rua à mercê da criminalidade.


Pré-Escola 

A Pré escola pode ser encarada como a porta de entrada para a aprendizagem. É na Pré escola que os quesitos: afeto, socialização, desenvolvimento da linguagem, desenvolvimento motor, desenvolvimento do raciocínio, a fantasia, o imaginário, a rotina, a alfabetização se fazem presentes na sua fase inicial. 

Na verdade a Pré escola é a semente da educação. Se ela for bem trabalhada a criança dificilmente encontrará dificuldades de aprendizagem. 

A metodologia da Pré Escola tem a seu favor o descomprometimento do aluno. Ele não sofrerá avaliações onde seu desempenho terá o peso de uma nota. Este é o lado prazeroso do aprendizado. A criança será totalmente motivada ao saber. Todos os conceitos serão primeiramente trabalhados no concreto valendo-se, o educador, de jogos ou qualquer outro recurso do gênero para prender a atenção da criança e estimular suas habilidades. 

É assim que se aprende brincando. 

Realmente a diferença é muito grande entre uma criança que saí de uma creche para a 1ª série e da criança que sai da Pré-escola.
Na verdade, este contraste não deveria existir, mas a realidade é bem esta.

                                                                     Cybele Meyer


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